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Envelhecimento saudável é debatido em conferência virtual da Prefeitura de Manaus

A pesquisa intitulada “Cuidado e Cuidadores: Estudo situacional sobre idosos dependentes e seus cuidados familiares 2019-2020”, de autoria da pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), socióloga Maria Cecília de Souza Minayo, foi apresentada na webconferência “Diálogos na Atenção Primária (APS)”, desta quarta-feira, 28/9.


A conferência é uma iniciativa da Prefeitura de Manaus para fortalecer o processo de educação permanente dos servidores da saúde do município.
Os resultados da pesquisa foram compartilhados com servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), organizadora do evento, pela professora doutora Denise Gutierrez, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ela destacou que o objetivo do estudo é aumentar a consciência da sociedade sobre a necessidade de buscar uma política de proteção aos idosos dependentes e aos que cuidam deles em seu domicílio.
A apresentação foi mediada pela chefe do Núcleo de Atenção à Saúde do Idoso da Semsa, Maria Eliny Rocha, que destacou importância de abordar o tema no contexto atual, em que o número de pessoas em processo de envelhecimento é significativo, exigindo uma discussão ampla e sem tabus sobre como familiares e idosos devem ir se adaptando às mudanças físicas e mentais.

A pesquisa qualitativa contemplou 64 idosos dependentes, 84 cuidadores familiares, 30 profissionais de saúde totalizando 178 pessoas e contou com a colaboração de coordenadores locais de oito instituições federais de ensino superior e de pesquisa, dentre as quais, a Ufam.

As fontes de informação foram documentos oficiais do Ministério da Saúde, bibliografia nacional e internacional sobre envelhecimento e uma pesquisa empírica, com o objetivo de subsidiar uma política de atenção aos idosos e apoio aos cuidadores.

A professora Denise Gutierrez iniciou sua apresentação mostrando a situação sociodemográfica da população brasileira. Atualmente, 34,5% dos lares brasileiros têm pelo menos uma pessoa idosa com 60 anos ou mais e os idosos hoje representam 16,2% da população brasileira. Desse percentual, 83,4% vivem com suas famílias, enquanto 16% vivem sozinhas ou com seus companheiros, e menos 1% mora em instituições de longa permanência.
A maioria dos idosos brasileiros é ativa e contribui social e financeiramente para a manutenção de seus descendentes, assegurou Denise. Mas no caso dos idosos dependentes, pessoas que, por razões relacionadas à cognição ou capacidade funcional, precisam ser ajudadas por outras, precisam ter suas condições de assistência melhoradas.

“A dinâmica familiar do idoso dependente na sociedade moderna é marcada pelo estresse emocional, que acontece quando esse idoso se sente relegado das conversas, dos planos e dos programas familiares e sem espaço físico e sociocultural para as suas necessidades. Eles ficam incomodados com essa situação de dependência, se sentem solitários e isolados, o que demonstra que precisamos discutir mais este tema”, acentuou Denise.

Cuidadores
A pesquisa também contemplou cuidadores de idosos familiares e formais. De acordo com o estudo, o cuidador é a pessoa escolhida na família que se oferece ou que é obrigada a exercer essa função porque não dispõe de outra opção. Sobrecarga de trabalho, preocupações, dificuldade financeira e preocupações fazem parte da rotina desse cuidador, função desempenhada na maioria dos casos por mulheres (84,5%) com idades entre 40 a 80 anos (66%) em geral filhas, irmãs, netas e cônjuges.

“Percebemos que idosos estão cuidando de outros idosos, um quadro que indica que este ônus precisa ser encarado por todos nós. Daí a necessidade de um suporte institucional e de aprendizado para as famílias, pois muitas desconhecem a doença que acomete o seu idoso. Outro ponto fundamental é a integração entre a assistência à saúde e assistência social, porque este cuidado deve ser intersetorial”, explicou.
Dados

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a chefe do Núcleo de Atenção à Saúde do Idoso, Eliny Rocha, informou que a população idosa corresponde a 6% da população da capital, que é 2,2 milhões de pessoas, o que demonstra a necessidade de discutir como retardar as perdas de funcionalidades básicas e instrumentais que prejudicam o idoso e o isolam cada vez mais do convívio social.

“As funcionalidades básicas são ações como tomar banho, saber o horário de ingerir os próprios medicamentos e trocar de roupa sozinho, e as funcionalidades instrumentais podem ser compreendidas como a capacidade cognitiva de utilizar seu próprio cartão do banco, elaborar sua agenda de consultas médicas, fazer operações bancárias. Quando um ‘envelhescente’ (pessoa a partir dos 50 anos) não se prepara para essa fase, estimulando o cérebro, essas perdas impactam muito a sua vida. Ao discutir esse tema sem tabus, estamos contribuindo para que esse idoso seja uma pessoa ativa em sua comunidade”, ressaltou Eliny.

Foto – João Viana / Arquivo Semcom

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