No Amazonas, eleição não começa quando a Justiça Eleitoral autoriza. Ela nasce muito antes, no cafezinho da padaria, na roda de conversa da feira, no grupo de WhatsApp da família e até na fila do mercadinho.
De repente, surgem abraços que estavam desaparecidos há quatro anos. O político que nunca tinha pisado no bairro agora conhece o nome da rua, da dona Maria, do seu João e até do cachorro que vive deitado na calçada.
As redes sociais viram um verdadeiro festival de super-heróis. Todo mundo promete resolver trânsito, saúde, segurança, educação, saneamento e ainda fazer o rio Negro correr mais depressa. Se dependesse apenas dos vídeos de campanha, Manaus já seria uma mistura de Dubai com Singapura, cercada pela maior floresta tropical do planeta.
Enquanto isso, o eleitor amazonense observa. Uns acreditam. Outros desconfiam. Há quem já tenha visto esse filme tantas vezes que sabe até o roteiro. Afinal, promessa de campanha é como chuva de verão: cai forte, faz barulho e, às vezes, desaparece antes mesmo de molhar a terra.
Mas 2026 tem um ingrediente diferente. A população está mais conectada, cobra mais, grava mais, compartilha mais e esquece menos. Hoje, um discurso feito pela manhã pode ser confrontado com um vídeo de quatro anos atrás antes do almoço.
No fim das contas, a eleição será decidida não apenas pelos marqueteiros ou pelos discursos inflamados, mas pela capacidade de convencer um eleitor que anda cansado de ouvir muito e ver pouco.
E, enquanto os candidatos gastam sola de sapato atrás de votos, o povo continua esperando algo simples: menos espetáculo e mais resultado.
Porque, no Amazonas, a floresta ensina uma lição valiosa: árvore que faz muito barulho nem sempre é a que dá os melhores frutos.
Edivan Farias
Jornalista – DRT/AM 1200

