Blitz Amazônico
Amazonas

Em Tonantins, Defensoria Pública conclui mutirão com mais de 240 atendimentos à população

Cronograma também contou com inspeção carcerária e participação na cerimônia de instalação da Comarca do município

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) encerrou, no dia 28 de novembro, o mutirão de atendimentos realizado ao longo da última semana em Tonantins (distante 865 quilômetros de Manaus), no Fórum de Justiça, no Centro da cidade. A iniciativa concentrou atendimentos presenciais das 8h às 14h e reuniu, principalmente, moradores ribeirinhos, indígenas e mulheres, grupos que encontram barreiras maiores para acessar serviços jurídicos sem mediação institucional.

De acordo com a defensora pública Luisa Lana, que coordenou a ação no município, foram realizados em torno de 250 atendimentos ao longo dos cinco dias. As demandas mais frequentes envolveram registros públicos, como emissão de certidões e regularização documental, seguidas por questões da área de Família.

Durante o mutirão, um caso de registro tardio de uma idosa indígena de 67 anos, da etnia Kokama, que nunca havia saído da aldeia, chamou a atenção da defensora. A documentação foi providenciada com apoio de servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Distrito Sanitário de Saúde Indígena (DSEI) local.

“Esse tipo de atendimento mostra quanto o atendimento presencial ainda é indispensável. Muitas pessoas atendidas são totalmente excluídas do ambiente digital e não conseguem realizar procedimentos virtuais”, explicou Luisa Lana.

Para a defensora, a atuação em Tonantins evidencia a necessidade de manter a instituição cada vez mais próxima do território. “Sempre que estamos no município percebemos o quanto nossa presença faz diferença na rotina de quem depende desses serviços. É algo que a comunidade verbaliza e que sentimos na prática”, ressaltou.

A agenda também contou com inspeção carcerária na delegacia do município, onde todos os 17 presos foram atendidos. Durante a verificação, foram identificadas irregularidades, entre elas o tempo de banho de sol inferior ao previsto em lei. Diante disso, serão emitidas recomendações para ajustes imediatos na rotina carcerária.

Marco histórico para a região

A semana coincidiu com a instalação da Comarca de Tonantins, último município do Amazonas que ainda não possuía comarca própria. Na prática, uma comarca é a estrutura básica do Judiciário em um município, onde funcionam cartório, vara judicial e serviços que permitem que processos, registros e demandas jurídicas sejam resolvidos ali mesmo.

Com isso, Tonantins passa a ter, pela primeira vez, uma estrutura judiciária completa, o que reduz deslocamentos, custos e espera para quem precisa resolver questões civis, criminais ou obter documentos essenciais. A defensora explica que essa mudança deve impactar diretamente a demanda por serviços da Defensoria.

“Antes, a população precisava ir até Santo Antônio do Içá para conseguir um registro civil ou uma segunda via. Isso explica porque recebemos tantas demandas de registros. Com o cartório local, acredito que essa necessidade tende a diminuir gradualmente”, avaliou.

Texto: Aline Ferreira

Fotos: Divulgação/DPE-AM

Post Relacionado

PGE-AM prorroga prazo para o envio de artigos científicos da nova Revista Jurídica do órgão

EDI FARIAS

Comitê Estadual define novo fluxo para demandas de medicamentos na rede pública de saúde do Amazonas após decisões do STF 

victoria Farias

Defensoria instaura procedimento para investigar quedas de energia em Codajás

victoria Farias