Entrevista aconteceu na tarde desta quarta-feira (2), no programa Poder Político
A história de superação de uma mulher que precisou amadurecer cedo, enfrentar preconceitos e começar a trabalhar ainda na adolescência foi tema da entrevista de Paula ao programa Poder Político, apresentado pelos jornalistas Nilson Belém e Keudma Avlis, na tarde desta quarta-feira (2), às 14h30.
Manauara, nascida e criada em Manaus, Paula falou sobre suas origens e fez questão de destacar que, apesar de não possuir características indígenas, tem orgulho de ser manauara.
Filha de Raimundo Aníbal e Maria dos Santos Portela, cresceu em uma família humilde e trabalhadora, na região do Japim e do Polivalente. Desde muito jovem, acreditava que o estudo seria o caminho para conquistar uma vida melhor.
Mas aos 15 anos, tornou-se mãe e precisou assumir responsabilidades muito cedo. Segundo ela, a gravidez também trouxe preconceito dentro do ambiente escolar.
“Não foi fácil. Tive que assumir responsabilidades muito cedo”, relembrou.
Com um filho pequeno para criar, Paula também precisou entrar precocemente no mercado de trabalho. Seu primeiro emprego foi no DB, onde, ainda muito jovem, atuou como promotora de cartões, justamente no período em que a rede começava a divulgar o cartão aos clientes.
Os pais ajudavam a cuidar do filho enquanto ela estudava e trabalhava, permitindo que continuasse buscando seus objetivos.
Um nódulo e o medo do diagnóstico
Paula também contou durante a entrevista que, ainda muito jovem, percebeu o surgimento de um nódulo, situação que provocou medo e desespero diante da possibilidade de ser algo grave.
O fato de trabalhar próximo a médicos, porém, trouxe alívio. Ela conseguiu buscar orientação profissional e entender melhor a situação, reduzindo a preocupação naquele momento.
A experiência acabou reforçando sua percepção sobre a importância da prevenção e do acompanhamento médico, principalmente para as mulheres.
Defesa da saúde da mulher
Durante a entrevista, Paula destacou que o papel da mulher na sociedade mudou. Segundo ela, enquanto antigamente o homem era visto como o principal provedor da família e a mulher ficava responsável pelos filhos e pela casa, atualmente as mulheres ocupam cada vez mais espaços profissionais e precisam conciliar diferentes responsabilidades.
Para ela, porém, essa conquista ainda não veio acompanhada de um acesso adequado aos serviços públicos de saúde.
“Você procura uma UBS, você procura uma assistência e não encontra”, afirmou.
Questionada sobre o que faria caso seja eleita deputada federal, Paula apontou como uma de suas principais propostas a ampliação da vacinação contra o HPV para homens e mulheres.
Ela lembrou que a vacina contra o HPV foi liberada no Amazonas em 2013, durante o governo de Omar Aziz, mas avalia que o assunto deixou de receber a atenção necessária ao longo dos anos.
Paula relacionou a importância da vacinação e da prevenção ao combate aos casos de câncer, especialmente os de mama e colo do útero.
Segundo ela, não basta falar em prevenção se mulheres que não possuem condições financeiras para pagar exames continuam enfrentando longas filas na rede pública.
“Como é que você vai fazer prevenção para a mulher lá da ponta que não tem condições de pagar um exame?”, questionou.
Ela também relatou receber pedidos de ajuda de mulheres que aguardam há meses ou até anos por exames e procedimentos pelo SUS.
“Não é um caso isolado. Várias mulheres me pedem ajuda para fazer exames que estão há anos na fila. E é triste toda essa situação”, afirmou.
Para Paula, ampliar o acesso à vacinação, aos exames e ao atendimento médico é fundamental para fortalecer a prevenção e evitar que doenças sejam descobertas somente em estágios avançados.
A trajetória pessoal — marcada pela maternidade precoce, pelo trabalho desde a adolescência e pelas próprias experiências relacionadas à saúde — tornou-se, segundo ela, parte da motivação para defender políticas públicas voltadas principalmente às mulheres.
Blitz Amazônico
@reporterdascomunidadesam
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