As ações formativas contaram com tradução simultânea para a língua tikuna, permitindo que os alunos acompanhassem o conteúdo tanto em português quanto em sua língua materna
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio da Escola Superior (Esudpam), deu continuidade, nesta quinta-feira (19), à programação de atividades em Tabatinga, no Alto Solimões. Desta vez, as atividades foram realizadas na Escola Municipal Indígena João Ayres da Cruz, no Umariaçu II, e na Escola Municipal Indígena Oi Tchürüne, no Umariaçu I, alcançando estudantes do ensino fundamental por meio de orientações sobre direitos fundamentais, inclusão social e o papel da Defensoria Pública na garantia de acesso à justiça.
As atividades fazem parte dos projetos “Defensoria nas Escolas” e “Caminhos da Inclusão”, que seguem com programação até sexta-feira (20), que, pela primeira vez, contou com tradução simultânea para a língua tikuna, permitindo que os alunos acompanhassem o conteúdo tanto em português quanto em sua língua materna.
A programação foi conduzida pelo 1º Subdefensor Público Geral, Helom Nunes, e pelo servidor Fábio Ricarte, membro da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão, que apresentaram conteúdos voltados à educação em direitos e à promoção da inclusão.
A diretora da Escola Superior da Defensoria Pública (Esudpam), Karoline Santos, destacou a importância de levar as ações para diferentes realidades dentro do município, incluindo as comunidades indígenas.
“Levar educação em direitos para as comunidades indígenas é fundamental para garantir que a informação chegue de forma acessível a todos. Esses projetos têm um grande potencial de transformação social, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros”, enfatizou Karoline Santos.
De acordo com o 1º Subdefensor Público Geral, Helom Nunes, a presença da Defensoria nas comunidades indígenas reforça o compromisso da instituição em estar próxima da população, especialmente em regiões mais distantes.
“Uma Defensoria cada vez mais forte se faz presente assim: perto do povo. Nosso estado é grande, mas a nossa missão é ainda maior, e é por isso que buscamos chegar a todas as comunidades”, destacou.
Segundo Fábio Ricarte, a atuação da Defensoria no interior também fortalece o debate sobre inclusão e acessibilidade entre os jovens.
“Está sendo significativa a presença da Defensoria aqui em Tabatinga, em várias localidades e para vários públicos, levando informação e conhecimento em relação à inclusão e acessibilidade. A gente percebe a empolgação e a atenção dos nossos jovens e adolescentes para compreender a importância de acolher e incluir as pessoas com deficiência”, afirmou.
Inclusão e acessibilidade
Durante as atividades, temas como cidadania, inclusão e acessibilidade foram abordados de forma didática, incentivando os estudantes a se tornarem multiplicadores do conhecimento em suas comunidades.
Um dos destaques da programação foi a tradução simultânea para a língua tikuna, permitindo que os alunos acompanhassem o conteúdo em sua língua materna.
Para José Fernandes, da Coordenação da Educação Escolar Indígena, a presença da Defensoria e a tradução das palestras fortalecem o acesso à informação dentro das comunidades indígenas. “A gente teve essa oportunidade de traduzir para os nossos alunos, para que eles possam entender e conhecer melhor seus direitos. Isso é muito importante para a nossa comunidade, realizar as traduções na nossa língua é fundamental para a preservação cultural, resistência e garantia de nossos direitos como povo, transforma os instrumentos acessíveis, combatendo a marginalização linguística e fortalecendo a nossa identidade”, destacou.
Entre os estudantes, a iniciativa também teve impacto direto na compreensão dos conteúdos apresentados. A estudante Rayllane Cruz ressaltou que a ação ajudou a reforçar ensinamentos já trabalhados na escola sobre direitos e valorização da cultura indígena.
Segundo a tradução apresentada durante a atividade, ela afirmou que a palestra relembrou ensinamentos importantes sobre os direitos dos alunos, o valor do estudo e a importância de preservar a própria cultura.
A presença da Defensoria nas escolas indígenas também foi destacada pela gestão das unidades como uma ação essencial para fortalecer a educação e garantir o acesso à informação de forma inclusiva.
A programação segue até a tarde desta sexta-feira (20), com atividades em outras duas escolas do município. Neste último dia, as ações serão voltadas para estudantes do ensino médio, ampliando o alcance da iniciativa.
Texto e foto: Luiz Felipe Santos

