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“Mentiroso e moleque”: moradores de Iranduba se revoltam e cobram promessas do prefeito Augusto Ferraz

Tensão, protestos, discussões e muito bate-boca marcaram a noite desta terça-feira no bairro Parque Caboclo, em Iranduba quando moradores revoltados impediram o avanço das obras de pavimentação da prefeitura após descobrirem que o projeto excluiu partes da rua principal e de outras vias do bairro, deixando um trecho de 80 metros — onde vivem centenas de famílias — completamente de fora.

O impasse mobilizou a Polícia Militar e expôs a revolta da comunidade com o prefeito Augusto Ferraz, que há cerca de um mês esteve na comunidade e prometeu que todas as ruas seriam asfaltadas.

A confusão começou quando as máquinas da empresa responsável chegaram para aplicar o asfalto na noite de ontem. Ao notarem que o maquinário pararia na esquina da Rua 4, a população formou um bloqueio impedindo a continuidade das atividades.

Informados que Ferraz estava no bairro no mesmo horário em campanha eleitoral para sua esposa Luana Ferraz, candidata a deputada estadual, os manifestantes denunciaram que ele não teve coragem de comparecer ao local para dar explicações.

“Estamos reivindicando porque pagamos impostos. Se não iam fazer nossa rua, por que tiraram o asfalto? O prefeito é um moleque. Ele está no bairro pedindo votos para a mulher, mas não cumpre suas promessas “, disse o morador do bairro Rodolfo.

MOLEQUE E MENTIROSO

A manifestação, embora ordeira, foi marcada por gritos de indignação e cobranças firmes. Há anos, a comunidade sofre com buracos, além da poeira intensa que afeta diretamente crianças, idosos e pessoas doentes. Dirigir pelas vias esquecidas virou um teste de paciência.

Outra moradora, identificada como Luana, reforçou o sentimento de traição e desespero. “O prefeito veio aqui e prometeu fazer todas as ruas, mas ele é um mentiroso e moleque. Não somos porcos para andar na lama”, protestou.

O proprietário da empresa executora da obra, identificado apenas como Claudemir, explicou que está de mãos atadas por questões contratuais porque o projeto prevê apenas 2 quilômetros de asfalto no bairro. “Esse projeto é feito com emenda parlamentar em parceria com a prefeitura e não contempla esses trechos e ruas que ficaram para um segundo projeto. Não temos contrato para essa rua”, limitou-se a dizer.

Um representante da prefeitura que se identificou como fiscal do contrato também esteve no local sob os protestos da comunidade. Ele lavou as mãos e também disse que a obra não inclui outras vias. “Não posso obrigar a empresa a fazer o que está fora do escopo do projeto e sou responsável por fiscalizar apenas o que está previsto”.

Até o momento, as obras seguem paralisadas pelos moradores que tentam o diálogo com o prefeito Augusto Ferraz em busca de uma solução.

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