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Cultura

Festival Somas chega à quarta edição e coloca mulheres e pessoas trans no centro da cena musical na Amazônia

O evento acontece nos dias 2, 3 e 4 de outubro, em Manaus, com oficinas, painéis, rodas de conversa e shows gratuitos

A música e a arte se consolidam como ferramentas de resistência e sobrevivência para mulheres e pessoas trans. Com esse propósito, o Festival Somas 2025 chega à capital amazonense nos dias 2, 3 e 4 de outubro, colocando o direito de existir e criar no centro do debate sobre direitos humanos e diversidade. Durante três dias, o Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, Centro, receberá apresentações musicais e atividades formativas que reúnem mulheres, pessoas trans e a comunidade LGBTQIAPN+ para discutir técnica, mercado e caminhos de fortalecimento da cena musical na Amazônia.

Realizado pelo Coletivo Difusão, o Festival Somas é contemplado pelo Edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Manaus), conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM) e é filiado à Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin).

De acordo com a idealizadora do festival, a artista e produtora cultural Elisa Maia, o Somas nasceu em 2018 como uma resposta à necessidade de criar espaços de formação e visibilidade para mulheres e pessoas trans na cena musical amazônica. O evento também teve edições em 2019 e 2023. 

“O Somas nasceu da urgência de criar um espaço onde mulheres e pessoas trans pudessem se encontrar, compartilhar saberes e fortalecer suas trajetórias na música. Desde 2018, cada edição confirma que arte e formação caminham juntas quando falamos de resistência e de direito a existir. Em 2025, seguimos ampliando esse diálogo, conectando a cena amazônica a outras regiões e mostrando que a produção cultural feita por nós é potente, diversa e necessária para transformar realidades”, explica Elisa.

Nesta edição, a proposta é oferecer capacitação técnica, incentivar o protagonismo de mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+ e ampliar debates sobre mercado, criação e sustentabilidade na arte amazônica.

Para Michelle Andrews, produtora cultural e co-criadora do festival, a quarta edição reforça o compromisso de dar visibilidade a artistas e trabalhadoras da música em um cenário historicamente desigual.

“O Somas nasce de uma urgência: somar forças com as mulheres. Ele surge para difundir trabalhos, mas também para promover autocuidado e profissionalização, combatendo narrativas negativas de que em Manaus não há cantoras, identidade cultural, técnicas de som ou designers. O festival colabora com toda a cadeia produtiva da cultura e faz um recorte de gênero por necessidade, porque ainda vemos poucas mulheres e pessoas trans na técnica, nos palcos e na produção. Queremos mudar esse quadro”, afirma.

Programação

A programação inclui seis atividades formativas, entre oficinas, painéis e uma roda de conversa, além dos shows do grupo indígena musical Yebá Buró Goamü K4lyope, Duda Raposo e Anna Suav, que encerram o último dia de evento.  Todos os encontros acontecem no Museu da Imagem e do Som, no Palacete Provincial, com vagas gratuitas priorizadas para mulheres e pessoas trans, mas abertas ao público em geral.

Entre as oficinas programadas estão “Construindo portfólio artístico e cultural”, “Criativas: carreiras possíveis na música” e “Diversas na técnica – formação básica de sonorização para mulheres e pessoas trans”. Esta última será ministrada por Jessyca Meireles, técnica de som e diretora de palco de Belém (PA), formada em Produção Fonográfica.

Jessyca foi responsável pela direção técnica do Festival Psica (2022, 2023 e 2024) e atuou em importantes eventos como Serasgum, Sonido, Lambateria, Elas no Comando e o Festival de Música da Amazônia. Com experiência em empresas de sonorização e iluminação no Rio de Janeiro, já colaborou com artistas e grupos de destaque, como BaianaSystem, Xanddy Harmonia, Sambaiana e Yaya Massemba.

Além disso, a programação inclui dois painéis com as temáticas “Qual é a da música LBTT no Estado do Amazonas?”, “Videoclipes – Criando comunidades e narrando histórias na música” e “Artistas pela Amazônia – repertório para um ativismo nas artes”.

Também haverá uma roda de conversa sobre “Desacelerando para seguir: tecendo redes de cuidado na Cultura” e quatro shows musicais encabeçados por mulheres e/ou pessoas trans.

As atividades formativas têm vagas prioritariamente dedicadas a mulheres e à comunidade trans, mas os shows musicais que encerram o festival são abertos ao público em geral. Toda a programação é gratuita.

Para mais informações sobre o festival, acesse o instagram @somasparadamusical.

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