Depoimentos foram feitos durante a segunda audiência pública realizada na área rural do município, com a participação de mais de oito comunidades do Lago do Uruapiara
Com sonora e imagem de apoio: VR Audiência Pública – Humaitá – Falta de energia Distrito de Auxiliadora e Lago do Uruapiara – Humaitá
O morador da comunidade Cristo Rei, Gilquimar Ribeiro Leonard, morreu aos 26 anos ao tentar religar a rede elétrica, puxando um fio de alta tensão que estava sob uma árvore caída. A comunidade, localizada no Lago do Uruapiara, na zona rural de Humaitá, estava há duas semanas sem energia. O caso aconteceu em 2017 e foi relembrado nesta quinta-feira (11), durante a audiência pública promovida pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) para discutir as constantes interrupções de energia elétrica na região. O encontro aconteceu na comunidade Novo Centenário, no Distrito de Auxiliadora.
Eliana Neves, moradora da comunidade São Pedro, lamentou a morte do colega e também relatou aos presentes o caso de sua tia Joaquina Trindade, de 63 anos, que ficou com uma cicatriz na testa após passar de barco por um fio que atravessava as margens em uma altura fora dos padrões de segurança.
“Ela foi fazer um passeio. Foi um milagre divino ela ter sobrevivido, mas ficou dias em Porto Velho para se recuperar”, relatou Eliana.
A enfermeira Redija Lima alertou sobre o problema da falta de comunicação quando há interrupção no fornecimento de energia. “Aqui, ficar sem internet é colocar em risco a vida das pessoas. É por meio de mensagens e ligações que elas conseguem acionar os agentes de saúde em caso de emergência e urgência”, afirmou a profissional.
Ela acrescentou ainda o risco de perda de insumos importantes, como a insulina utilizada no controle da diabetes, devido à falta de refrigeração, além da inoperância de equipamentos que auxiliam no diagnóstico da malária. “Um tratamento retardatário coloca em risco a vida dos nossos pacientes”, completou.
Ao constatar 1.067 interrupções no serviço de energia elétrica no último ano na região, a Defensoria Pública decidiu instaurar um Procedimento Coletivo. O mecanismo jurídico apura a ineficiência do serviço de energia no Distrito de Auxiliadora e no Lago do Uruapiara, área que abrange mais de 30 comunidades ribeirinhas.
O defensor público Théo Costa, que presidiu a audiência ao lado dos defensores Ricardo Paiva e Francine Buffon, afirmou que a falta de luz é algo muito sério em regiões isoladas. “Vimos aqui relatos que mostram como isso impacta a vida das pessoas e apresentamos essa realidade às empresas responsáveis durante essas audiências públicas”, declarou o defensor público.
Audiências Públicas em Humaitá
Este foi o segundo encontro promovido pela Defensoria Pública para reunir moradores da zona rural de Humaitá, representantes das empresas responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica e autoridades locais. Nas duas reuniões, as empresas se comprometeram a reforçar o serviço, tanto na geração quanto na distribuição de energia. (hiper link para o site)
A defensora pública Francine Buffon destacou a importância do diálogo para uma resolução mais rápida do problema. Segundo ela, a intenção da Defensoria é firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com as duas empresas envolvidas.
“O nosso objetivo aqui é, primeiramente, fazer um acordo com as empresas. Mas, caso haja descumprimento dos compromissos firmados, ajuizaremos uma ação”, afirmou.
Texto e foto: Thamires Clair

