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Conforme Mandado de Segurança, gestão David Almeida não pagou dívida de mais de R$ 190 milhões ao Sinetram, veja

O bastidor do transporte coletivo de Manaus virou um verdadeiro campo de guerra. Enquanto a população sofre nos pontos de ônibus e os trabalhadores cobram o pagamento pontual dos salários, os documentos do Mandado de Segurança Cível (Nº 0000546-19.2026.5.11.0000 / TRT-11) revelam a real causa da crise: a Prefeitura de Manaus acumula um rombo assustador de mais de R$ 190 milhões em subsídios não repassados ao sistema. A narrativa de que o problema é apenas “descaso” das empresas esconde uma realidade matemática crua: a tarifa paga pelo passageiro na catraca cobre apenas cerca de metade dos custos do transporte público. O restante depende, por lei e contrato, do repasse de subsídios do Poder Concedente. Sem esse dinheiro, a conta não fecha.

O RAIO-X DO ROMBO DE R$ 190 MILHÕES

De acordo com as notificações oficiais e planilhas do próprio Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) constantes no processo, a dívida acumulada da Prefeitura atinge exatamente R$ 190.432.855,35:

Origem do Débito / Referência Situação Valor (R$) Passivo Remanescente de 2025

Calote Acumulado R$ 101.256.799,34

Subsídio de Abril / 2026 Vencido / Não Pago R$ 11.241.787,70

Subsídio de Maio / 2026 Vencido / Não Pago R$ 23.708.315,32

Previsão de Junho / 2026 Não Repassado R$ 54.225.952,99

DÍVIDA TOTAL ACUMULADAPassivo GeralR$ 190.432.855,35

REPASSE “PINGA-PINGA” E ASFIXIA FINANCEIRA

Na tentativa de apagar o incêndio, a Prefeitura injetou R$ 22.000.000,00 na véspera da notificação extrajudicial. No entanto, o montante serviu apenas para cobrir buraco: a maior parte foi tragada automaticamente pelos bancos para pagar empréstimos e garantias bancárias que as empresas foram forçadas a pegar para manter os ônibus rodando.
Mesmo após essa gota d’água no oceano, o saldo devedor real da Prefeitura continua sufocando o sistema em R$ 168.432.855,35.

A MATEMÁTICA IMPLACÁVEL DO TRANSPORTE

Os relatórios do IMMU escancaram a inviabilidade financeira do modelo atual quando a Prefeitura não cumpre sua parte:

  • Custo Total Mensal do Sistema: ~R$ 82.587.571,63
  • Arrecadação na Catraca/Bilhetagem: ~R$ 42.221.193,00
  • Subsídio Necessário para Equilíbrio: ~R$ 40.311.363,41
  • Déficit Mensal Gerado pela Prefeitura: ~R$ 20.000.000,00 por mês

O EFEITO DOMINÓ: A CIDADE À BEIRA DA PARALISAÇÃO

O documento judicial alerta para o perigo do “efeito inverso”: impor multas pesadas e exigir o pagamento da folha sem regularizar os repasses da Prefeitura gera um círculo vicioso destruidor:

Colapso: Sem ônibus rodando, não há receita nem para o mês seguinte, deixando a população sem transporte e os trabalhadores sem salário.

Sem subsídio da Prefeitura: As empresas usam 100% da arrecadação da catraca para tentar pagar salários.

Falta de caixa: Acaba o dinheiro para óleo diesel, peças e manutenção da frota.

Imobilização dos ônibus: Veículos quebram, saem de circulação e a arrecadação despenca.

O travamento dos salários não é fruto de opção das empresas, mas sim decorrência direta do calote milionário promovido pela Prefeitura de Manaus, que retém os recursos legalmente destinados ao custeio do transporte público. 

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