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A biblioteca virtual já é real

Por Álvaro Venegas, CEO da ENG DTP & Multimídia e especialista em EAD em ambientes reais digitalizados. 

Folhear livros, revistas ou jornais parece uma atividade mais obsoleta a cada dia e, por mais que estes meios físicos de acesso à literatura ou notícias se perpetuem, o formato digital já é presente e terá um grande espaço num futuro próximo. Embora o audiobook tenha sido inventado em 1930 e se popularizado a partir de 1970 como uma excelente possibilidade de acesso a conteúdos, e sem lê-lo, quem veio para ficar foi o e-book. Criado por Michael Stern Hart em 1971, quando digitalizou a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, o livro digital expandiu o alcance nas décadas seguintes ao mesmo tempo que reduziu a necessidade de espaços físicos para armazená-los. Hoje podemos ter uma biblioteca no celular e as dezenas de aplicativos para conteúdos digitais não apenas facilitaram o acesso aos conteúdos, mas baratearam e popularizaram. Segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) o faturamento com as vendas do setor editorial impresso brasileiro apresentou um crescimento nominal de 3% em 2022, já o faturamento total com conteúdo digital em 2022, alcançou um crescimento nominal de 35%, impulsionado pelo aumento de 69% do faturamento de Bibliotecas Virtuais e pela inserção do subsetor de didáticos através da categoria Plataformas Educacionais.

Há quase três décadas começou o movimento da digitalização de bibliotecas no Brasil, prateleiras e prateleiras de volumes passaram a ser dispostas em arquivos virtuais de acervos públicos e privados que são menos onerosos às instituições. Uma biblioteca virtual com 3 mil exemplares entre clássicos e técnicos, por exemplo, pode custar até 40% menos por aluno do que uma biblioteca física, e ainda oferece um painel de interatividade que leva além da leitura. E já temos disponíveis avanços consideráveis no Brasil neste setor, como a biblioteca Estúdio Books, lançada durante o 28º CIAED, Congresso Internacional de Educação à Distância, em outubro passado no Rio de Janeiro, que não apenas dá acesso aos títulos para a leitura, mas abre uma janela de contextualização sobre temas e autores que eleva o simples ato de estudar numa biblioteca ao patamar de uma viagem preciosa pelos diversos caminhos do conteúdo, e tudo direto do smartphone.

Eis que a biblioteca se transformou numa multiplataforma facilmente acessível que possibilita, a partir do livro digital, buscas avançadas, traduções interativas, anotações, comentários, sincronização de páginas, leitura offline de um acervo atualizado constantemente com os lançamentos nacionais e internacionais. Talvez o formato da biblioteca virtual não seja muito tentador para a velha guarda dos leitores, mas ele é determinante para prender a atenção da Geração Z e as futuras gerações que têm a vida acadêmica e as telas completamente interligadas. Vivemos inegavelmente um momento de transição da biblioteca de papel, que jamais vai deixar de existir, para a biblioteca das telas e creio que caminhamos a passos largos para a consolidação da biblioteca virtual como um meio real de democratização da informação.

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