Após acompanhar a tradicional corrida desde criança e visitar o circuito no ano passado, brasileiro de 22 anos disputará pela primeira vez o Grande Prêmio de Macau, ao volante de um CUPRA da equipe francesa SP Compétition
Existem lugares no automobilismo que representam muito mais do que uma pista de corrida. Macau é um deles. Entre hotéis luxuosos, cassinos, edifícios imponentes e uma atmosfera de glamour internacional, algumas das ruas mais movimentadas da cidade se transformam, uma vez por ano, em um dos circuitos mais desafiadores e perigosos do planeta. Ali, carros de competição passam a centímetros de muros de concreto, enfrentam curvas estreitas e disputam posições em um traçado onde praticamente não existe margem para erro.
É nesse cenário, que reúne tradição, prestígio e risco, que um jovem brasileiro de 22 anos realizará um sonho alimentado desde a infância. Celso Neto cresceu acompanhando as corridas de Macau, fascinado pelas imagens dos carros desafiando os limites do Circuito da Guia. No ano passado, teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a cidade e visitar o local que tantas vezes havia visto pela televisão e pela internet.
Agora, pouco mais de um ano depois, voltará a Macau em uma condição completamente diferente: como piloto na etapa final do Kumho FIA TCR World Tour, entre os dias 19 e 22 de novembro. Celso será o único representante brasileiro na lista provisória de 30 inscritos. O piloto, que também possui cidadania norte-americana e reside em Orlando, nos Estados Unidos, competirá com o CUPRA Leon VZ TCR #477, preparado pela equipe francesa SP Compétition.
A participação representa sua estreia no automobilismo asiático e acrescenta um novo capítulo a uma carreira internacional construída com dedicação, velocidade e uma capacidade de adaptação demonstrada ao longo das últimas temporadas.

Para quem acompanha o automobilismo, Macau ocupa um lugar especial. O Circuito da Guia é um dos poucos traçados capazes de reunir a velocidade de uma grande competição internacional com as características imprevisíveis de ruas normalmente utilizadas pelo trânsito urbano.
A história dessa corrida ajudou a transformar a cidade em uma referência mundial. Entre os pilotos que passaram por suas ruas está Ayrton Senna, vencedor da prova de Fórmula 3 em 1983, antes de conquistar seus três títulos mundiais na Fórmula 1.
O encanto de Macau não está apenas em seu passado. Está também na combinação quase contraditória entre a sofisticação do evento e a brutalidade esportiva do circuito. Ao mesmo tempo em que a cidade recebe equipes, pilotos e visitantes de diferentes partes do mundo, os competidores enfrentam um traçado de aproximadamente 6,12 quilômetros, marcado por longas retas, mudanças de elevação, curvas fechadas e trechos tão estreitos que qualquer pequeno erro pode significar o fim de uma corrida.
Para Celso Neto, o desafio tem um significado que ultrapassa os resultados esportivos. “Eu acompanho Macau desde criança. Sempre achei impressionante ver aqueles carros passando tão perto dos muros, em ruas que parecem estreitas demais para uma corrida daquele nível. No ano passado, estive lá pessoalmente e fiquei ainda mais impressionado. Caminhei pela cidade, conheci o circuito e tentei imaginar como seria estar dentro de um carro de competição naquele lugar. Agora volto como piloto. É difícil explicar a emoção de receber esse convite e perceber que algo que parecia tão distante está prestes a acontecer”, conta Celso.

Entre o fascínio e o perigo
Diferentemente dos autódromos convencionais, onde áreas de escape podem oferecer uma segunda chance depois de um erro, Macau exige precisão praticamente absoluta. O circuito combina setores de altíssima velocidade com passagens estreitas pela região montanhosa da cidade. Em alguns pontos, os muros ficam tão próximos da trajetória dos carros que não há espaço para correções. A concentração precisa ser permanente, e a confiança do piloto deve caminhar lado a lado com o respeito aos limites da pista.
É justamente essa característica que faz de Macau um dos desafios mais respeitados do automobilismo internacional. Celso sabe que encontrará adversários experientes, muitos deles acostumados às particularidades do circuito. A lista provisória inclui nomes consagrados do turismo mundial, como Norbert Michelisz, Yann Ehrlacher, Thed Björk, Mikel Azcona e Jean-Karl Vernay.
O brasileiro dividirá a estrutura da SP Compétition com Vernay, campeão do TCR International Series em 2017, além dos pilotos Aurélien Comte e Mikhail Simonov. A equipe francesa alinhará quatro CUPRA Leon VZ TCR na competição.

Uma oportunidade construída com trabalho
O convite para disputar a etapa de Macau surgiu após uma temporada de importantes experiências no automobilismo norte-americano. Em 2026, Celso competiu na IMSA Michelin Pilot Challenge pela Stallion Motorsports, equipe que autorizou sua participação na prova asiática, já que ele continua competindo em 2027 pela escuderia no mesmo campeonato.
A experiência acumulada será importante em Macau, especialmente pela necessidade de adaptação rápida a uma equipe diferente e a um circuito que Celso ainda não conhece em condições de corrida. Para Flávio Bergmann, diretor de Comunicação e Marketing da Stallion, a estreia asiática simboliza uma conquista pessoal e também o amadurecimento de um jovem que vem construindo sua trajetória passo a passo.
“Existe algo muito especial nessa história. Há pouco tempo, Celso estava em Macau olhando para aquelas ruas com a admiração de quem sonhava um dia competir ali. Agora ele terá a oportunidade de colocar o capacete, entrar no carro e fazer parte daquele espetáculo. É uma conquista que emociona, mas que também tem uma explicação muito concreta: trabalho, dedicação e uma evolução consistente. Celso tem velocidade, raciocínio rápido, sensibilidade para acertar o carro e, principalmente, uma postura profissional que faz diferença no relacionamento com as equipes. Macau não será uma corrida simples, muito pelo contrário. Mas acredito que justamente os grandes desafios ajudam a construir grandes pilotos”, destaca Bergmann.

Um brasileiro entre os melhores do mundo
A etapa de Macau marcará o encerramento da temporada 2026 do Kumho FIA TCR World Tour e integrará a programação do 73º Grande Prêmio de Macau. A lista provisória reúne 30 carros de equipes e fabricantes de diferentes países. Celso é o único inscrito com nacionalidade brasileira. Além dele, apenas outros dois pilotos sul-americanos aparecem na relação: o argentino Camilo Trappa e o uruguaio Santiago Urrutia.
Para o brasileiro, a oportunidade de competir nesse ambiente representa mais do que a busca por um resultado. É a chance de enfrentar um dos circuitos mais exigentes do mundo, adquirir experiência em um novo continente e encerrar a temporada com uma participação de grande significado pessoal e profissional.
A programação terá início na quinta-feira (19), com os treinos livres. A classificação está prevista para sexta-feira (20), enquanto as duas corridas serão realizadas no sábado (21) e no domingo (22).
Serviço — Kumho FIA TCR World Tour | Macau 2026
- Evento: Corrida Guia de Macau – etapa final do Kumho FIA TCR World Tour
- Data: 19 a 22 de novembro de 2026
- Local: Circuito da Guia — Macau, China
- Piloto: Celso Neto, 22 anos
- Equipe: SP Compétition (França)
- Carro: CUPRA Leon VZ TCR #477
- Inscritos: 30 carros na lista provisória
- Treinos livres: Quinta-feira, 19 de novembro
- Classificação: Sexta-feira, 20 de novembro
- Corrida 1: Sábado, 21 de novembro
- Corrida 2: Domingo, 22 de novembro
Mais informações: cneto.net | Instagram: @cneto_racing

