Blitz Amazônico
Amazonas

Núcleo da Mulher da Defensoria amplia atendimento a mulheres com projeto de defesa pessoal 

Projeto piloto aconteceu nesta sexta-feira, com o objetivo de oferecer conhecimentos básicos de autodefesa como uma ferramenta complementar ao acompanhamento jurídico realizado pelo Nudem

Noções básicas de defesa pessoal para reconhecer situações de risco, reagir diante de um possível ataque e buscar uma oportunidade segura de afastamento. Essa foi a proposta da primeira aula do projeto-piloto promovido pelo Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública do Amazonas (DPAM), nesta sexta-feira (25/9), no auditório da unidade, localizada na avenida André Araújo, nº 7, Adrianópolis.

O encontro reuniu mulheres assistidas pelo núcleo e também contou com a participação de servidoras que atuam diretamente no atendimento das vítimas. A dinâmica da iniciativa é que os encontros aconteçam regularmente, sempre na última sexta-feira de cada mês, como uma ferramenta complementar ao trabalho de orientação e assistência jurídica realizado pelo Nudem no acompanhamento dos casos de violência doméstica.

O projeto nasceu da vivência das equipes no atendimento a mulheres vítimas de violência, especialmente diante de relatos que mostram como, em determinados momentos, saber se desvencilhar de uma agressão ou criar uma distância segura pode ser importante para buscar ajuda.

De acordo com a defensora pública Karlla Queiroz, que coordena a iniciativa, a ideia é oferecer uma orientação prática que possa ser utilizada em um cenário de risco, até que a mulher consiga se afastar do agressor.

“Essa foi uma necessidade que a gente identificou durante o atendimento, de que, de repente, uma noção básica de defesa pessoal poderia evitar uma agressão mais grave, poderia cessar de uma forma mais imediata aquela violência para dar tempo de ela buscar a rede de proteção”, destacou.

“Então, a nossa proposta foi mostrar para mulheres vítimas de violência doméstica que nos procuram, que buscam uma medida protetiva, que elas não estão sozinhas. Uma vez que elas entram por essa porta, procuram o Nudem, elas podem contar com a gente”, acrescentou a defensora pública.

Técnicas na prática

Durante a aula, aplicada pela professora de Jiu-Jitsu e faixa preta Indara Dias, as mulheres aprenderam técnicas de movimentos para se desvencilhar de agarramentos, pegadas nas mãos, puxões de cabelo e outras formas de aproximação. Também foram abordados métodos seguros de queda, formas de se levantar, criação de espaço e fuga.

“Durante a aula, apresentamos técnicas de queda, formas de se levantar e se desvincular de um possível agressor, além de movimentos utilizados nas artes marciais que também podem ser adaptados para a defesa pessoal”, explicou Indara.

A proposta não exige experiência anterior com artes marciais. Os exercícios apresentados na primeira aula estiveram ligados a mobilidades simples para que possam ser compreendidos e executados por mulheres com diferentes níveis de preparo físico.

“O objetivo é proporcionar às mulheres conhecimento, confiança, autonomia e ferramentas básicas para reconhecer situações de risco e buscar uma oportunidade segura de escapar”, pontuou a professora de Jiu-Jitsu, Indara Dias.

Impacto do projeto

Aos 52 anos, Helena Miranda dos Santos viveu a primeira experiência com a prática de defesa pessoal. Acompanhada pelo Núcleo da Mulher há cerca de 15 dias, ela conta que a vontade de aprender a se defender foi o que a motivou a participar.

“Foi muito gratificante participar dessa aula hoje. Aprendi algumas técnicas, e o que me motivou a participar foi a vontade de aprender a me defender, realmente. Foi uma experiência muito boa. Se eu tivesse tido essa experiência antes, não teria acontecido o que aconteceu. Eu teria tido alguma noção para me defender”, contou Helena.

A experiência despertou em Helena o desejo de continuar participando dos próximos encontros. Para ela, a aula mostrou que conhecer as técnicas de autodefesa é diferente de simplesmente imaginar como reagiria diante de uma ameaça.

“Acho muito importante essa aula, porque a gente aprende a se defender. A gente acha que sabe de tudo, mas aqui a gente aprende realmente a se defender”, afirmou.

Atendimento especializado às mulheres

O Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) conta com uma equipe 100% feminina, composta por psicóloga, assistentes sociais e defensoras. O núcleo realiza atendimento humanizado e individualizado e está disponível para prestar assistência e orientação jurídica às mulheres que necessitam de acesso à Justiça.

O Nudem fica localizado na avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O agendamento pode ser feito presencialmente no núcleo ou pelo WhatsApp da Defensoria: (92) 98559-1599.

Texto: Aline Ferreira 
Foto:
Marcus Bessa/DPAM

Post Relacionado

Visita constatou evasão escolar, ausência de merenda e falta de apoio a alunos com deficiência

blitzamazonico

Defensoria Pública recomenda providências para garantir dignidade e saúde aos custodiados da delegacia de Tonantins

blitzamazonico

MPF cobra explicações de prefeito interino de Borba sobre aplicação de recursos

blitzamazonico