Espetáculo da Coletiva de Palhaças que homenageia as ancestralidades das avós, encerra temporada em dois espaços de Manaus nos dias 17 e 22 de setembro
Depois de atravessar diferentes públicos em mais de 10 apresentações no Amazonas e chegar a Sorocaba, em São Paulo, com participação na programação da Trienal de Artes do Sesc Sorocaba Frestas “Do caminho um rezo”, o espetáculo A Voz de Maria Amazonina retorna a Manaus para realizar suas últimas apresentações da temporada A Voz de Maria Amazonina – Palhaçaria de Terreiro, contemplado pelo Edital PNAB nº 08/2025 da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas. A montagem será apresentada nesta quinta, dia 17 de setembro, às 20h, na Quadra do Reino Unido, em parceria com o Instituto Reino do Amanhã, e no dia 22 de setembro, às 9h, no Parque Municipal do Idoso. O espetáculo nasce da memória da avó da palhaça Carmella Caramela (Maria Fernanda Carmim) , Amazonina Carmin Lima, e transforma em cena lembranças da infância, ancestralidade, espiritualidade e saudade. A obra é construída a partir da relação da artista com a avó, que morreu em 2022 após viver com Alzheimer, e se desenvolve por meio da palhaçaria de terreiro, linguagem que articula a palhaçaria às experiências culturais e espirituais dos artistas da Coletiva de Palhaças.Em agosto, o espetáculo chegou a Sorocaba como parte da programação do Frestas “Do caminho um rezo”, trienal de artes do Sesc Sorocaba. A participação teve ainda um momento dedicado à discussão sobre acessibilidade e criação amazônida, da diretora do espetáculo e referência nacional Ananda Guimarães e da palhaça-atriz Maria Fernanda Carmim, em uma mesa mediada por Gislana Vale, curadora do ciclo de acessibilidade do Frestas e referência nacional na cultura DEF.
Para Ananda Guimarães, diretora de A Voz de Maria Amazonina – Palhaçaria de Terreiro, a participação da obra na programação do Frestas – “Do caminho um rezo”, no Sesc Sorocaba, representa também uma possibilidade de deslocar o olhar sobre as discussões de acessibilidade e diversidade no Brasil.“É muito importante mostrar que, para além das discussões, a gente tem a prática, a criação, e que a gente traz nossos territórios e nossas cosmologias, que reverberam dramaturgicamente. Estar no Sesc Sorocaba, no Sudeste, também rompe com essa ideia de que as nossas discussões sobre diversidade e acessibilidade estão distantes das discussões nacionais. O Amazonas também faz parte do Brasil”, afirma a diretora.Ao falar sobre o processo de criação de A Voz de Maria Amazonina, Ananda destaca ainda a relação de pertencimento construída dentro da Coletiva de Palhaças e a liberdade para desenvolver uma obra que permanece em processo.“Eu me sinto feliz porque eu estou em casa, literalmente. É minha família. Eu sinto que tem uma maturidade de escuta muito importante e essa compreensão de obras que são continuadas. A gente não tem muita pressa em chegar a algum lugar, porque sabe que está descobrindo ao mesmo tempo, em uma lógica processual.”A circulação em Sorocaba também levou a montagem para a APAE Sorocaba, ampliando o diálogo do espetáculo com públicos diversos, e para o teatro do Sesc Sorocaba, onde foi apresentada a versão completa da obra.Para Gislana Vale, a potência do trabalho está justamente no encontro entre a palhaçaria e as referências culturais que atravessam a criação:“Eu sugeri trazer o trabalho de vocês porque, para mim, ele tem uma coisa que acho fundamental: juntar a cultura de vocês com a palhaçaria. As pessoas não esperam que a palhaçaria ela tenha essa externalidade da cultura. E vocês trazem uma palhaçaria que se constrói nas relações culturais e no coletivo, porque vocês são um coletivo.”O retorno a Manaus marca, portanto, uma nova etapa da trajetória de A Voz de Maria Amazonina, que nasceu em 2024 na Universidade Estadual do Amazonas e teve sua primeira montagem realizada em 2026, após ser contemplada pelo edital estadual de Circo da PNAB 2024. Desde então, o espetáculo passou por diferentes espaços, iniciando pela Fundação Dr. Thomas, escolas, espaços de criação e instituições voltadas a pessoas idosas. A primeira apresentação dessa temporada aconteceu na Associação de Idosos do Coroado no dia 19 de agosto.

