Blitz Amazônico
Amazonas

Defensoria Pública adota comunicação bilíngue ‘português-tikuna’ em materiais institucionais no Alto Solimões

Iniciativa atende à demanda apresentada por lideranças indígenas da etnia e contou com apoio da Funai e do CAIS Indígena

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) deu mais um passo na promoção de um atendimento inclusivo e respeitoso às tradições dos povos originários ao traduzir materiais informativos para o idioma Tikuna e levá-los às comunidades indígenas do Alto Solimões. A ação envolveu defensores e intérpretes da própria etnia, garantindo que informações sobre direitos e serviços da instituição chegassem de forma clara e culturalmente adequada. 

De acordo com a defensora pública Luisa Lana, que atua no Núcleo de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais (Nudcit), a iniciativa nasceu da escuta a partir de uma audiência pública realizada em Manaus no dia 12 de setembro, voltada à construção do Protocolo de Atendimento da Defensoria para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. 

O encontro, que contou com lideranças e associações indígenas, teve como base o direito de consulta livre, prévia e informada, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Durante o diálogo, as comunidades sugeriram a elaboração de materiais nas línguas indígenas mais faladas do Amazonas. 

“A necessidade de comunicação acessível foi destacada por lideranças presentes. O idioma Tikuna foi priorizado porque é o mais falado do país, e a comunidade Umariaçu, na Terra Indígena Tukuna, abriga cerca de oito mil pessoas da etnia Maguta/Tikuna”, explicou Luisa. 

Intérpretes da etnia

O defensor público Vinicius Mariani, que atua na região do Alto Solimões, disse que este é o primeiro material bilíngue produzido pela Defensoria com o objetivo de reduzir barreiras linguísticas que dificultam o acesso à justiça para povos indígenas. 

“Todo o processo de tradução e revisão foi feito por monitores e intérpretes da etnia Tikuna, em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social na Política sobre Drogas (CAIS) Povos Indígenas. A participação das próprias comunidades garantiu fidelidade cultural e linguística ao conteúdo”, afirmou. 

Além de informar sobre os serviços oferecidos pela DPE-AM, o material orienta sobre direitos fundamentais, formas de atendimento e canais de denúncia. 

A iniciativa mostra o compromisso da Defensoria Pública em assegurar o acesso à informação e o respeito às especificidades culturais dos povos e comunidades tradicionais. A proposta é expandir a ação, traduzindo o material para outros idiomas indígenas presentes no estado. 

“A tradução para o Tikuna é apenas o primeiro passo. O objetivo é que todas as comunidades possam compreender seus direitos na sua própria língua, fortalecendo o protagonismo indígena e o acesso efetivo à justiça”, completou Mariani. 

Com a ação, a DPE-AM se estabelece como instituição que promove a inclusão, o diálogo intercultural e a defesa dos direitos humanos, levando a linguagem da justiça a cada território e a cada povo. 

Justiça na mesma língua

Como resultado dessa visita técnica da Defensoria Pública às comunidades Umariaçu I e II, em Tabatinga (Alto Solimões), se abriu diálogo direto entre a instituição e lideranças indígenas da etnia Maguta/Tikuna, fomentando o fortalecimento de uma rede de apoio que se baseia na escuta ativa. 

Texto: Ed Salles 

Foto: Divulgação/DPE-AM

Post Relacionado

Central Integrada de Fiscalização (CIF) autua dois estabelecimentos em fiscalização de sucatarias na zona norte de Manaus

victoria Farias

Defensoria presta atendimento às vítimas de incêndio que destruiu 14 casas em Nhamundá

blitzamazonico

DPE-AM obtém decisão judicial que obriga a realização de exames PET-SCAN na rede estadual de Saúde

victoria Farias